quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Somos todos queixinhas

Há por aí quem ache que os casamentos gay devem ser uma prioridade. Concordo, desde que isso não relegue para segundo plano o que realmente interessa: aumentar o número de portugueses felizes.

Nâo sei quantos pobres existem em Portugal. Também não sei quantas pessoas do mesmo sexo desejam contrair casamento. No entanto, acho que é pior, em termos individuais, alguém passar fome de comida do que de sexo.

Quanto à líbido fiscal que, na verdade, orienta o Governo nessa matéria (ou ainda alguém acha que um Governo quer mesmo ver as pessoas felizes?) - para quando a aprovação da poligamia e da poliandria - sujeita a taxa compensatória, obviamente, e com agravamento percentual da taxa de IRS a 2,5 % por cabeça, por exemplo - e mesmo os casamentos a prazo, ou com cessão de posição contratual?

O que importa, nesta matéria, é o Governo não ter uma postura rígida - já que o betão deve ser empregue nas obras públicas, e não perturbar a flexibilidade associada à vida social que se adivinha. Para além do mais, é sabido que das obras públicas nada se associa a casamentos gay (com eventual excepção dos blue collars de tronco musculado, bronzeado, suado, a fazer pensar que a igualdade de oportunidades deveria garantir uma quota de senhoras que se dedicassem à construção civil e, também elas, pudessem mandar bocas aos jovens mancebos que circulassem junto aos andaimes onde as trolhas em tronco semi-nu, de soutiens suados, se aglomerassem para o assédio, recorrendo ao piropo fácil e ao assobio malicioso para perturbar os jovens rapazes tementes a Deus ou ao visual imposto pela última edição dos "Morangos com Açúcar" (castos, todos eles).

Quanto a mim, porém, uma luta fica por referir - a do direito à eutanásia. Tal como o casamento gay, a eutanásia visa minimizar o número de caras tristes nos cidadãos nacionais, e tem uma vantagem - acaba por permitir distribuição de riqueza, em vez da concentração decorrente do casamento.

A luta pelo direito à eutanásia tem apenas um problema de continuidade - os militantes acabam tendencialmente por morrer, confundindo-se o fim pretendido com o meio prosseguido. Para equilíbrio da balança comercial nacional, a exportação de bombistas suicidas (membros da ETE - Eutanásia Potencialmente Explosiva) configura uma possibilidade económica quase tão interessante quanto a da aposta na pirataria da Somália.

Vamos aproveitar as oportunidades, casar com alguém do nosso sexo que trabalhe nas obras e se deseje exportar (e não "emigrar" - um bombista suicida não é tanto um caso de mão-de-obra quanto de matéria-prima).